quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Conselho Espírita ou Igrejismo?

O Conselho Espírita de São Bernardo do Campo afirma ter como objetivo organizar, unificar e integrar as instituições espiritistas da cidade. Aparentemente, atua como uma réplica menor da Federação Espírita Brasileira, partidarizando o Espiritismo, colocando-o como uma religião tradicional, com sacerdotes e líderes, envaidecendo seus participantes com o título de conselheiros, mas que pouco prestígio tem entre os espíritas são-bernardenses.

São Bernardo possui atualmente mais de sessenta instituições de caráter espírita. Sabe-se que poucas contribuem financeiramente com o Conselho, e um número ainda menor participa ativamente das reuniões. Fatores não faltam para explicar esse cenário.

Percebe-se visivelmente, por exemplo, que tal órgão tem viés político em boa parte de suas atitudes, pois seus dirigentes são encontrados com frequência nos gabinetes, suplicando por verbas e espaços para eventos.

Em seu livro "O Centro Espírita", o professor José Herculano Pires combate o esforço de muitos em "igrejificar" o Espiritismo, emparelhando-o com as religiões decadentes e ultrapassadas, formando por toda parte núcleos místicos, desligados da realidade imediata. Ao que parece, assim é o Conselho Espírita de São Bernardo do Campo, formado em sua maioria por pessoas de bons princípios, estimuladas a cooperar, porém guiadas por ideias decadentes, superadas e antidoutrinárias.

Felizmente, ainda é tempo de ressignificar a utilidade do Conselho, deixando de lado expressões como "unificação", "movimento espírita" ou qualquer outro termo que separe e isole o espírita do mundo. Com o trocadilho inevitável, é possível dizer que conselhos não faltam. Resta agir.




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