quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Bingo na Centro Espírita, e agora?

Circula pelas redes sociais o convite de uma casa espírita de São Bernardo do Campo para uma festa a realizar-se em data próxima. A programação inclui música, boa comida e bingo.

"Gosto não se discute", diz a fala popular, que cabe perfeitamente para o tema música. A instituição promete a apresentação de um jovem que traz no repertório clássicos do rock nacional. Seria a casa espírita o espaço para shows de tal formato?

Em tempos de tantos programas de TV sobre culinária, não faltam especialistas para analisar e validar receitas, pratos e sobremesas. A festa anunciada promete fartas opções como churrasco, doces e bebidas. Seria a casa espírita o local adequado para esbanjamento gourmet?

O convite destaca ainda o bingo que, desta vez, não veio acompanhado da palavra beneficente. Seria a casa espírita uma versão cristã dos cassinos?

Infelizmente, muitos são aqueles que insistem e persistem em trazer para dentro da casa espírita o que acontece fora de seus muros, quando deveriam se esforçar em fazer o caminho inverso.

Música é bem-vinda, desde que traga elevação, paz, reflexão e harmonia. Comida deve vir acompanhada de simplicidade. Menos é mais.

E o bingo? Qual o benefício real do jogo? Enriquecer rapidamente o caixa da instituição? Divertir os frequentadores estimulando o desequilíbrio emocional? O debate é amplo.

Em artigo que pode ser facilmente encontrado na internet, o palestrante Alkindar de Oliveira declara que "no Centro Espírita, o Bingo é um jogo onde todos ganham, pois mesmo que a maioria não ganhe o prêmio objeto do bingo, ninguém deixará de ganhar o prêmio maior: que é o de poder contribuir com uma causa nobre em prol do bem do próximo."

Oliveira observa o assunto com um olhar romântico e benevolente, porém não considera que basta uma pessoa se desequilibrar, estimulada pelo jogo, para colocar tudo a perder. A experiência também mostra que o Bingo atrai uma grande plateia que tem pouco interesse pela causa espírita e até mesmo pelo Espiritismo. Elas estão lá pela matemática do "investimento". Na dúvida, optar por não fazer é garantia de paz na consciência.

Raul Teixeira, palestrante, também falou sobre o tema em entrevista ao Jornal Correio Espírita. De acordo com Teixeira, "a casa espírita, sendo educandário básico da mente popular, não comporta nenhum tipo de jogo de azar nem de sorte. Ela deve ser o espaço para que seja feito aquilo que a Doutrina Espírita propõe. No dia em que a casa espírita se converter num espaço de jogos de qualquer teor, ainda que sob a justificativas as mais piedosas, em nome da caridade, terá se convertido num clube, numa área que não serve mais à causa de Cristo, mas aos interesses imediatistas dos indivíduos. Os jogos são eminentemente do mundo e, obviamente, não se ajustam à proposta da casa espírita e muito menos à Doutrina Espírita. Com todo respeito àqueles que usam o espaço do centro espírita para fazer o que lhes dá na mente, o que lhes vem à cabeça, temos que dizer que eles estão ignorando a seriedade do compromisso espírita, atraiçoando a confiança com que os generosos Mentores do mundo os convidaram para o trabalho na fulgurante Seara Espírita. Que a casa espírita tenha necessidade de recursos materiais para atender aos seus trabalhos materiais, não resta dúvida. Contudo, deveremos procurar operar no campo das coisas dignas, que não comprometam os princípios espíritas nem enxovalhem o nome de tantas almas que sofreram e choraram, que deram suas vidas e suas mortes, a fim de que hoje encontrássemos essa liberdade de ser espíritas, de afirmar alto e em bom som a nossa fé, em toda a parte."

Qual a sua opinião a respeito? Comente!



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